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Sambas: união de cultura e música no maior espetáculo do mundo - Site do bairro do Barreto

Sambas: união de cultura e música no maior espetáculo do mundo

A Viradouro vai homenagear a cidade, cantando a história e as belezas niteroienses na Marquês de Sapucaí. Foto: Thiago Louza
Sambas: união de cultura e música no maior espetáculo do mundo

Compositores revelam como é o processo para escrever os ‘hinos’ das escolas e falam sobre a expectativa para o desfile de 2014. Autores se reúnem para apresentar músicas

O estado do Rio de Janeiro já está em ritmo de carnaval e dentre tantas preocupações de uma escola de samba para retratar seu enredo na Avenida, a principal é o samba. É através dele que as pessoas são tocadas e conhecem a história que será retratada. O que muitas pessoas não sabem é que a maior festa do mundo começa primeiro para os compositores de carnaval. São eles que colocam a sensibilidade na letra do samba.

Para os compositores, o ritmo de trabalho é intenso e exige muita dedicação. As escolas de samba de Niterói e São Gonçalo, que hoje estão no grupo de acesso, lutam para conquistar seu espaço no grupo especial e com isso compõem os sambas com mais inspiração.

Os compositores das três escolas de samba da região, Porto da Pedra, Viradouro e Cubango, se reuniram em uma tradicional casa de samba de Niterói, Toca da Gambá, que existe há 26 anos, no Barreto, Zona Norte da cidade. Na casa, eles cantaram seus sambas e mostraram o que vão levar para a Avenida. O proprietário da casa, Jairinho Pacheco, ressalta que é muito importante que todas as casas de samba da região apoiem as escolas.

“Os empresários de Niterói e São Gonçalo têm que olhar o lado da cultura, que é carente de ajuda. É preciso que olhem um pouco mais para o carnaval e tudo o que envolve uma festa que é bem popular e 100% brasileira”, afirma Jairinho.

Lequinho, um dos compositores da Acadêmicos do Cubango, relata que começou a escrever sambas quando criança e já passou por inúmeras escolas. Hoje, além de fazer parte da verde e branca de Niterói, também integra a Estação Primeira de Mangueira. Ele diz que a inspiração vem quando menos se espera.

“Não tem uma regra. Às vezes acordo com uma ideia e vou correndo colocar no papel. Depois nos reunimos,  cada um leva suas anotações e montamos o samba que acreditamos sempre que será o campeão”, conta.

Além de criatividade, ele destaca que os compositores precisam estudar o enredo, para colocar na letra exatamente o que o carnavalesco quer passar para o público.

A Cubango vai levar para a Avenida a composição de Sardinha, Gustavo Soares, Diego Moura, Deigre Silva, Junior Fionda, Lequinho e Igor Leal sobre a África.

A Viradouro também está confiante no resultado do quesito samba-enredo para o carnaval. A agremiação contou com Dudu Nobre, Zé Glória, Diego Tavares, Paulo Oliveira, Dílson Marimba, Diego Nicolau e Junior Fragga para escreverem o hino oficial de 2014, “Sou da Terra de Ismael, ‘Guanabaran’ eu vou cruzar… pra você eu tiro o chapéu, Rio eu vim te abraçar”. O samba conta a história de Niterói. 

“Quando temos um enredo que fala de cultura ou então no nosso caso, que está falando da nossa região, é muito gratificante. Procuramos colocar o enredo na letra de forma harmonizada e ao mesmo tempo leve. Vamos sacudir a Sapucaí”, comenta Diego Nicolau.

Ele afirma ainda que, mesmo com a necessidade de inspiração, existe um padrão para compor sambas.

“Seguimos a cronologia do enredo, montamos o refrão, a primeira parte, o refrão central e a segunda parte. Ano passado fugimos um pouco e esse ano voltamos com o padrão. O trabalho é pesado, fazemos diversas revisões, batemos ponto a ponto para ver se colocamos tudo que o carnavalesco pediu e no momento da disputa a emoção e alegria é o fator principal”, destaca.

Dudu Nobre fala com carinho sobre sua trajetória na vermelho e branco de Niterói e conta que o grupo se reuniu em sua casa para escrever a letra do samba-enredo.

“Tenho um enorme carinho pela escola e já desfilei duas vezes na bateria. Tenho muitos amigos em Niterói e quando o Diego me chamou para compor o samba com eles topei na hora. Posso dizer que fomos abençoados, pois a disputa foi tranquila e aqui estamos lutando por um lugar no grupo especial”, conta.

Dudu revela que possui grandes expectativas de que a escola vá para o grupo especial. “A Viradouro está batendo na trave há um tempo já e ela merece subir. O trabalho está sendo realizado da melhor maneira possível e estamos muito animados”.

Pavilhão – A Porto da Pedra, agremiação de São Gonçalo, chegou na frente e tem o enredo considerado o melhor do grupo de acesso. O hino vai homenagear os casais de mestre-sala e porta-bandeira. A escola promete dar um show na Marquês de Sapucaí e um dos compositores, o Bira, afirma que a escola está muito feliz por escolher um enredo como esse. 

“Falar do casal de mestre-sala e porta-bandeira é uma honra, pois eles são peças fundamentais para uma escola de samba, além de ser um tema inédito”, frisa.

Bira lembra que a equipe estudou detalhadamente tudo o que a escola vai levar para a Avenida. Para ele, entender o que ela pretende levar para o público é muito importante.

“Nosso objetivo é retratar a alma da escola, emocionar a comunidade. Pensamos exatamente dessa maneira quando fomos compor o samba. Feito isso, pensamos na melodia. O povo tem que gostar de cantar”, aponta.

A composição de “Majestades do Samba: os defensores do meu Pavilhão”, é de Bira, Marcio Rangel, Wilson Bizzar, Eric Costa, Alexandre Villela e Duda SG.

“Existe um consenso, somos todos amigos e sempre buscamos o melhor para a escola. Até o momento da gravação, algo pode ser modificado e sempre aceitamos toques, sempre é possível dar uma mudada para deixar o que estava bom ainda melhor”, conclui.



Fonte: http://jornal.ofluminense.com.br