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O Brasil contemporâneo retratado nas folhas de um cartaz - Site do bairro do Barreto

O Brasil contemporâneo retratado nas folhas de um cartaz

Fernando Pimenta expõe cartazes de filmes que acompanham a história do cinema do País. Foto: Divulgação
O Brasil contemporâneo retratado nas folhas de um cartaz

Considerado o mais requisitado artista gráfico do cinema brasileiro, Fernando Pimenta expõe na Sala de Cultura Leila Diniz, com peças feitas para o cinema

O cinema, de acordo com a estrutura adquirida no século XVIII, é a sétima arte precedida pela arquitetura, escultura, pintura, gravura, música e coreografia. São formas que transmitir emoção que vão além da beleza. No entanto, hoje em dia, existem ainda técnicas como a fotografia, artes digitais, arte moderna e contemporânea que usam dessa representação para se comunicar com o público. Nem cinema, nem o teatro, por exemplo, seriam os mesmos sem a participação dos cartazes no processo de divulgação, marketing e construção do imaginário do público em relação a uma história a ser contada. Nesse importante papel, entra o artista gráfico Fernando Pimenta que vai expor, a partir de hoje, às 18h, até o dia 28, a mostra O Cartaz em Cartaz, na Sala de Cultura Leila Diniz, com 46 dos seus cartazes feitos para o cinema. 

“A escolha por esses cartazes que serão expostos hoje foram pelos mais representativos, do ponto de vista da história cultural, e pelos menos comprometedores, do posto de vista do pudor propriamente dito. Esse formato da exposição originou-se de uma idéia de Mariana Bezerra e Marcelo Laffitti, que conflita os ‘ossos’ do meu trabalho com a tecnologia contemporânea”, esclarece Fernando, que, além de ser um dos maiores na sua área no País, ainda fez carreira internacional expondo em festivais como Havana, Portugal, Suíça, Itália, Angola, Moçambique e França.

Entre os cartazes expostos estão peças produzidas para os longas-metragens Bye Bye Brasil (1979) e Tieta do Agreste (1996), de Cacá Diegues; Uma Avenida Chamada Brasil (1989), de Octávio Bezerra; O Xangô de Baker Street (2001), de Miguel Faria Jr.; Tainá – Uma Aventura na Amazônia (2000), de Tânia Lamarca. Destaca-se ainda o material de divulgação feito para o filme Leila Diniz (1987), de Luiz Carlos Lacerda, produção que homenageou a atriz que dá nome ao espaço cultural da Imprensa Oficial.
Sempre que pode, o artista usa, em suas exposições, projeções das aberturas, trailers e algumas outras peças da publicidade de lançamento dos filmes que participou. Apesar de na Sala de Cultura Leila Diniz serem expostos cartazes impressos, por conta da quantidade de material, Fernando não usa mais impressos em todas as mostras. Ele conta com a ajuda de monitores e projetores. Foi assim no Rio, em Havana, será na mostra encomendada para a Bienal do México, e, aqui em Niterói, ainda terá duas lousas e um videowall, onde serão apresentados cartazes, aberturas de filmes, além de entrevistas com cineastas como Luiz Carlos Barreto e o próprio Cacá Diegues.

“É uma exposição multimídia e interativa. Está disponível uma tecnologia touch-screen e alguns cartazes que são acompanhados de seus respectivos layers, arquivos de logos, fotos de stils e um arquivo digital do filme correspondente. O que permite intervir e reinventar a versão escolhida. Monitores estarão com todos meus cartazes de cinema, os horizontais e de outros segmentos, disponíveis. O visitante também poderá conferir uma projeção das aberturas dos filmes e de um mosaico de 30 janelas com imagens dos momentos profissionais da minha vida… é divertido”, explica o artista gráfico.

São mais de 30 anos de carreira e isso já é tempo suficiente para se perder de vista a quantidade de trabalhos de diferentes categorias como cinema, TV, teatro e campanhas institucionais. É bom lembrar que Fernando Pimenta não trabalhou sempre sozinho, já foi diretor de criação da distribuidora Embrafilme, onde criava e produzia 80 lançamentos de filmes por ano e mais uma grande quantidade de produtos para cinema. Mas o cartaz é uma peça que se assina, daí esse estigma. Em menos de um ano o artista estava dando entrevistas, recebendo convites pra exposições e ganhando prêmios. 
“Trabalhava muito e tropeçava na velocidade da produção. Impressos, filmagens, textos, tarefas acumuladas, esquecidas e, pelo menos uns 30%, perdidas. Não se permitia preocupações com a prosperidade e de que ‘um dia talvez, quem sabe’. Já fui questionado pelo Waltinho Carvalho, amigo de muitos anos, que o cartaz do seu filme não estava no meu livro. Não há meio de me lembrar dessa imagem. E essa situação aconteceu outras vezes com outras pessoas, mas é que perdi as contas”, revela o artista gráfico.

Poucas pessoas têm a oportunidade de trabalhar com o que gosta, mas Fernando deixa claro sua felicidade na carreira e sua paixão pela sétima arte.

“A oportunidade de viver de criação faz muito bem a saúde e o cinema agrega o conforto de maior intimidade com o produto”, diz ele, que ainda comenta sobre as mudanças tecnológicas nas última décadas e a relação com o seu trabalho: “É apenas uma ferramenta e, com o tempo, o que muda é tudo que está em nossa volta. Uma sequência de cartazes conta a história de um pais”.


O Fluminense


Fonte: http://jornal.ofluminense.com.br